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Esquizoanálise: Registros Nômades

Reunimos aqui, neste Registros Nômades, um conjunto de textos nascidos do contato de seus autores com a filosofia da diferença e com a esquizoanálise através do curso Formação em Esquizoanálise da Escola Nômade de Filosofia. Já vai mais de meio século desde o lançamento do livro que nos apresentou pela primeira vez a esquizoanálise, O anti-Édipo, de Gilles Deleuze e Félix Guattari.

E nós, com o anseio de ampliar a comunidade nômade ligada à filosofia da diferença e contribuir com o crescimento dos movimentos que ela vem desencadeando no Brasil, realizamos nosso primeiro encontro presencial com os participantes das sete primeiras turmas desse curso, donde nasceram os textos dessa coletânea.

 

No prefácio, levantamos nossa divisa: em que consiste a esquizoanálise? O que ela é e o que pode? Qual a sua real novidade? E por que importa não a confundir com outras teorias e práticas que, por efeito, ela combate?

 

Nos demais textos, o leitor encontrará uma rica multiplicidade de abordagens conforme o ponto de vista envolvido na prática de cada um de seus autores, mostrando o quanto o impacto desse pensamento e a prática que envolve são inseparáveis dos modos de vida e da necessidade de inventar novas maneiras de sentir, agir e pensar.

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Família e Escola: desafios do presente

"O futuro por nós previsto ou imaginado nunca corresponderá ao futuro tal como virá a ser. Deixemos que as novas gerações desenhem sua própria história quando esse tempo chegar - ao invés de anteciparmos competências e habilidades necessárias a um futuro imaginado e construído por nosso próprio medo de nos tornarmos obsoletos."

Este livro trata das relações que se estabelecem entre Família e Escola, as duas grandes instituições responsáveis por levar a cabo a tarefa educativa, composta pelo exercício compartilhado de conduzir o processo de subjetivação dos mais novos e de sua inserção na cultura humana.


O livro parte de uma retomada histórica que nos permite compreender os processos sociais pelos quais passamos, ajudando-nos a identificar seus efeitos no tempo presente.

 
Em meio a um contexto de mal-estar que se reedita a cada época, as relações entre família e escola também se modificam e se tensionam, conforme os papéis desempenhados por homens e mulheres, pais e mães, se tornam fluidos e intercambiáveis, resultado da crise na era patriarcal.


Nesse contexto, o papel da instituição escolar também se transforma, assumindo junto às famílias uma função central no que se refere ao exercício da parentalidade.

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"Formar para o futuro ou dialogar com o passado? Atender às demandas de um mutante mercado de trabalho ou focar em valores humanistas? Ter em vista o vestibular ou entender essa lógica como ultrapassada? Atender as famílias como clientes pagantes ou como parceiros educativos na relação com os mais novos? Tornar o ensino divertido, prazeroso e uma grande brincadeira ou insistir no rigor, na complexidade, na leitura e no trabalho árduo?"

Literatura

O menino pássaro


Fazer literatura infantil é um trabalho muito prazeroso e delicado. Falamos às crianças sensíveis que, tanto quanto os adultos, vivem em um mundo complexo e atravessado por múltiplos feixes de relação. 

A literatura é uma linguagem fundamental para disparar boas conversas e alimentar pensamentos, permitindo aos leitores de todas as idades que acessem suas muitas camadas de leitura.
 

O livro serve de superfície para muitos encontros: o das palavras com as  imagens, da leitura com a escrita, do dentro com o fora. É assim que a narrativa cresce e ganha corpo no encontro com o olhar de um leitor ativo, que se compõe e se potencializa no encontro com aquilo que lê.

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Um menino que aprendeu a voar...

um menino, a casa, a escola.  

um menino, o ritmo da cidade, o escuro da noite.

eis que numa noite qualquer surge uma visita inusitada

vamos voar?

entre pássaro que fala e menino que voa, desenham-se alturas e  aventuras

e uma bonita amizade

de noite em noite, de voo em voo, algo de novo acontece

um livro para crianças de muitas idades

que acreditam na criação de outros mundos

A Sóis

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Embarcamos com Ana numa viagem entre tempos e duas cidades, onde ela se ocupa da arte de se reinventar, depois que a vida se partiu em dois. Ao retornar ao apartamento que um dia foi de sua mãe, as cenas do passado encontram o presente, enquanto ela se dedica à criação de um novo olhar sobre a vida.

Quando seus passos se cruzam com os de Silvia, de Pedro e os do sempre presente Raul, somos levados a caminhar a seus lados, mergulhando em experiências únicas, e para onde se projetam constantes e generosos os raios de sol, capazes de trazer algum calor e redenção, mas também de projetar sombras sobre as paredes da sala.

Em meio aos processos de transmutação, há algo que fica ou tudo está de passagem?

© 2022 Marta Picchioni

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