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Entre o controle e o cuidado: literatura infantil sob os holofotes

  • Foto do escritor: Marta Picchioni
    Marta Picchioni
  • 30 de set. de 2021
  • 13 min de leitura

Por Marta Picchioni e Ana Carolina Carvalho


Qual o lugar da literatura em uma sociedade? E mais especificamente, qual o lugar da literatura voltada às infâncias? Ela pode ser um lugar de ingresso ao mundo letrado, um lugar que abre aos leitores iniciantes modos de pensar e de entender o mundo em que vivemos. Pode ser também uma forma de arte.


Neste caso, mais do que apresentar aos pequenos o mundo em que vivemos, a literatura se comprometeria com a abertura de frestas, de criação de mundos outros e de lugares de passagem, que convocam o leitor - iniciante ou não - a mergulhar numa experiência de alteridade e a inventar maneiras inéditas de ver o mundo e de viver.


Trago essas duas perspectivas à tona para que possamos fazer uma leitura de nossos tempos, onde vemos emergir uma espécie de atenção bastante singular em relação à produção literária contemporânea e pregressa, que tem dividido afetos e opiniões.


Estaríamos diante de um controle excessivo em relação aos discursos, que atua de modo a regular o que e como certos assuntos podem - ou não - ser ditos e lidos? Ou, numa outra perspectiva, poderíamos pensar tal movimento como uma postura de cuidado em relação ao que apresentamos às crianças, de modo a não perpetuar discursos considerados preconceituosos e que já não encontram solo fértil nos dias de hoje?


E, ainda, haveria alguma nuance ou ponto em comum entre um e outro modo de entender e usar a literatura dentro de um contexto escolar?


Para conversar sobre este assunto e pensarmos nas sutilezas que estão em jogo, convidei mais uma vez minha amiga e estudiosa do campo da literatura infantil, Ana Carolina Carvalho, a Lili. Esperamos poder tocar em pontos nevrálgicos dessa discussão, ampliando o campo das ideias e do debate, sempre.



Ana Carolina: Acho que é importante a gente voltar um pouco no tempo para entender as origens da literatura infantil, como produção literária voltada especificamente para a infância. Ela não existiu desde sempre, simplesmente porque esse conceito de infância, como época diferenciada do resto da vida, surge durante a modernidade. A valorização da infância, naquele momento, teve como resultado tanto uma consolidação da família nuclear, que precisava se unir para criar, cuidar e proteger os pequenos, quanto uma maior necessidade de controle do desenvolvimento dessa criança, tanto no que diz respeito ao seu intelecto como suas emoções. Por conta disso, há uma reformulação da escola, e o início de uma produção literária, que nasce de mãos dadas com essa instituição, visando muito formar e ensinar às crianças. Nesse contexto, muitos dos livros infantis foram escritos por pedagogos, com forte viés educativo. Uma autora que desenvolve isso muito bem é a Regina Zilberman, em seu livro A literatura infantil na escola e eu aconselho a leitura, para aquele que se interessar, já que aqui fiz um brevíssimo resumo dessas origens.


A questão é que essa marca original da literatura infantil ainda está muito presente não só nas escolas, mas em geral, entre pais, familiares e mediadores de leitura, por exemplo. Quando a gente investiga essa origem, muito do que diz respeito à infância está presente: o cuidado e a proteção, por um lado, e o controle, por outro. Outra questão que precisamos considerar é que a literatura infantil é feita por adultos, que sempre têm em mente um conceito de criança e de infância. Há um aspecto formativo, que vem junto com a escrita para as crianças, ainda que esse aspecto formativo seja algo bem amplo, onde cabem diferentes ideias, desejos e projeções.


Cuidar e proteger, por exemplo, pode ser entendido como impedir que as crianças tenham acesso a algum tipo de dificuldade ou sofrimento. Mas ao contrário, pode ser compreendido como dar espaço e palavras para que as crianças possam encontrar contornos e meios para viver suas dores, angústias e temores, inevitáveis.


Neste terreno nada simples da literatura infantil ainda tem outro elemento que precisamos considerar: estamos falando de arte e não de um meio para se ensinar alguma coisa, ou para controlar as crianças. E arte tem a ver com liberdade e gratuidade. Arte é ato livre, desobediente das ordens do mundo. E é necessidade humana. Então, retomamos aqui de outro jeito o conceito de cuidar. Se afirmamos que a arte é algo essencial ao ser humano, ofertar a literatura não seria um modo de cuidado?


Então, só para começar a nossa conversa, precisamos olhar e considerar esse dilema, esse jogo de forças que habita a literatura infantil: ela é arte e, portanto, necessária, mas livre e gratuita? Ou é meio para controlar, conformar? E nesse caso, mais instrumento pedagógico do que qualquer outra coisa?



Marta: Acho que além da perspectiva histórica que você traz, sempre fundamental para que possamos entender o tempo presente, você toca em outros pontos certeiros: o cuidado como uma certa tutela em relação às crianças, o que acaba por colocá-las numa posição infantilizada, em que lhes oferecemos menos do que elas poderiam, ou o cuidado como oferta de um ambiente de aprendizagem diverso e instigante, que presume uma criança inteligente e não nivela por baixo suas potencialidades. E, na outra ponta, o entendimento da literatura como arte ou como instrumento para ensinar valores vigentes em determinada época, afirmando seu lugar numa certa ideia de produção de bons costumes.


Há muita produção para crianças que vão nessa direção, privilegiando enredos que trazem, de maneira mais ou menos explícita, ensinamentos de fundo moral, como a importância do respeito ao próximo, a importância de se alimentar bem, de expressar sentimentos, de se comunicar com um adulto se algo de mal lhe acontece e por aí afora. São pautas que têm emergido com força em nossos tempos e que acabam se sobressaindo em nome de um fazer preventivo, que pretende instrumentalizar a criança a combater uma espécie de mal que estaria sempre à espreita.


Vejo algo muito parecido com as discussões sobre o brincar. Por um lado, um certo uso da linguagem do brincar como modalidade de ensino - o aprender brincando - que acaba por direcionar as ações espontâneas das crianças para finalidades pré-definidas, que têm em vista objetivos planejados pelos adultos e, por outro, um incômodo quando a brincadeira toma um rumo inesperado ou envereda por caminhos que os adultos não se sentem à vontade para mediar. Brincar de matar e morrer, por exemplo ou enredos onde o contato físico se insinua no limiar entre a brincadeira e a briga.


A resposta mais comum nesses casos é acabar com a brincadeira. Vejo que ainda há muitas dúvidas sobre como mediar certas situações que saem do script e de entender a importância de sustentá-las, já que podem ser ocasiões importantes para que aprendizados em relação ao convívio possam ser de fato construídos e a partir da cena de conflito, muito mais que por um discurso que parte do adulto em relação à criança e diz: faça isso ou faça aquilo.


Nesse sentido, temo que o ímpeto de resolver um conflito - ou, de nem permitir que o conflito apareça - dando ao ambiente ares de uma suposta harmonia e de concordância entre todos, opere o efeito contrário daquele que entendemos como uma ação educativa em ampla perspectiva: o de abrir a possibilidade do diálogo, da dissonância e da construção de um pensamento complexo, desde sempre, desde cedo.


Quais serão os efeitos, para as novas gerações e para nós mesmos, dessa tentativa de higienizar as produções artísticas em todas as suas modalidades? Não seria um tiro no pé?


Ana Carolina: Seria, sim, um tiro no pé, de diversas maneiras. No que diz respeito à literatura, eu acho que há uma confusão no entendimento do que seja essa forma de expressão e de arte humana, que se vale de metáforas e do espaço protegido da ficção para acontecer. Há uma ideia bastante equivocada de que aquilo que se lê possa ter incidência direta no mundo.


Tivemos uma série de polêmicas recentemente que partiram desse equívoco e justificaram movimentos de censura a alguns títulos. Se uma personagem dizia que queria ser menino ou pensava na sua própria morte, por exemplo, ia incentivar crianças a querer mudar de sexo ou a se matar. Nada mais absurdo! Em primeiro lugar porque a criança sabe que aquilo que lê na literatura está no terreno da ficção, não é o mundo, embora fale sobre ele. Em segundo lugar, porque o assunto da literatura é o humano em toda a sua complexidade. E isso inclui desejo de ser outro ou outra, pensamentos sobre a morte, angústias, tristezas, mas também amor, alegria. Muitas crianças sofrem violências sérias e passam por situações extremamente delicadas e difíceis, que vão desde abusos, abandonos dos mais variados tipos até privações, inclusive físicas, como a fome. A infância não é esse lugar protegido que se deseja que seja. E nem deve ser. Evidente que as crianças devem ser protegidas e bem cuidadas, amadas e amparadas, mas, mesmo que pudéssemos garantir boas condições de vida e dignidade a todas, isso não as impediria de sofrer e de se decepcionar, de se frustrar e ter medos e receios. Faz parte da vida e do processo de se tornar gente. Essa ideia de extirpar passagens difíceis de histórias ou evitar que se leia uma boa literatura que traz assuntos aparentemente espinhosos para as crianças é um erro e as impede de encontrar meios para lidar com a complexidade da existência.


Agora, tem outro lado dessa história que é a responsabilidade de quem escreve e de quem publica para crianças em um mundo que está em constante mudança. E que exige outros posicionamentos. Recentemente, por exemplo, tivemos algumas polêmicas em torno de livros de literatura infantil que traziam assuntos delicados, como o racismo. Penso que muito do que sabemos hoje sobre conceitos como racismo estrutural e branquitude, desconhecíamos há alguns anos, quando o tema não estava tão largamente em pauta (como é fundamental que esteja) quando a sociedade dava muito menos espaço (ou sequer dava, como certamente deveria dar) para a voz dos negros, por exemplo, e para esse importante diálogo em um pais cuja maioria é negra. Não se trata de “demonizar” aquele que escreveu algo, mas de fato devemos nos questionar: de que lugar o escritor nos fala? A que responde e com o que se coaduna aquilo que foi escrito? E o que escolhemos ler para as crianças? Sabemos como isso pode reverberar em uma criança preta, quando somos brancos e não vivemos aquela experiência? E para as crianças brancas? O que se reforça, por exemplo, quando ela lê uma literatura estereotipada ou que reforça certos preconceitos? Quais ecos os leitores encontram naquela leitura? É delicado. Pois a literatura, sendo lugar do complexo, tem função formativa e especular. Uma coisa, me parece, é querer oferecer um mundo higienizado, e outra, bem diferente, do meu ponto de vista, é cuidar e selecionar - no sentido de valorizar - aquilo que será ofertado às crianças. Como encontrar um equilíbrio nisso tudo?


Marta: Acho importante essa distinção que você faz entre higienizar e selecionar um bom livro para se apresentar às crianças. No entanto, acho que na prática muitas vezes esses conceitos se misturam e, em muitos casos, se acaba usando como critério o livro que evite conflitos ou assuntos mais espinhosos, já antevendo o barulho que possa vir a ocorrer com as famílias e a própria escola. Os exemplos que você traz, sobre gênero e racismo, ilustram bem as situações que têm ocorrido com frequência e em diversos lugares do mundo e, neste ponto, o papel do professor ou mediador é fundamental para fazer circular as diferentes impressões sobre uma leitura ou obra, por exemplo.


Mas tem ainda um outro ponto que acho importante nessa discussão que é o papel da educação propriamente dita - e que engloba a literatura oferecida/escolhida para ser lida nas escolas. A educação em geral também passa a ser regulada por muitos movimentos que atuam para além dela, ou seja, ainda que estejam presentes na escola, pautando escolhas institucionais e dos professores, têm envergadura maior, na medida em que influenciam, por exemplo, o mercado editorial. Então aqui a gente vê que se cria um primeiro filtro, que se refere aos critérios que passam a regular o tipo de obra que será ou não publicada pelas editoras, o que é um regulador que fala e atua no tempo presente.


Mais complicado que isso, a meu ver, é o movimento que atua em favor de um certo revisionismo histórico e que vem a condenar livros - que certamente estarão nas bibliotecas escolares - que trazem em suas narrativas texto e ilustrações racistas ou com estereotipia de gênero, etc e tal, que hoje questionamos, mas que são produto de seu tempo histórico.


O que faríamos nestes casos? Queimaríamos obras, a exemplo do que aconteceu recentemente no Canadá com os livros do Tintin e do Asterix e também aqui, em relação à obra do Monteiro Lobato? Pois, uma coisa é lutar para construir não só um discurso, mas práticas de equidade no aqui e agora, e outra, atuarmos como uma espécie de editores do passado, em nome de uma suposta proteção dos mais novos.


Será que teremos sempre o almejado controle de que tudo que eles terão acesso e conhecimento passará por nosso crivo editorial? E então, voltamos ao papel da educação e a importância de lidarmos, desde sempre, com situações complexas e por vezes ambivalentes, que nos constituem e nos escapam.


Ana Carolina: Não é assunto simples, né, Marta? A princípio, sou contra qualquer censura e a favor de que a leitura de uma literatura com valores ultrapassados, numa roupagem que não nos serve mais, se for feita, deve ser com o cuidado de apontar estereótipos e equívocos, além de poder abordar sua produção em um tempo histórico e social. No entanto, em se tratando do caso de racismo, por exemplo, para ficarmos no tema de que já falamos, como saber o que uma leitura pode causar a uma criança preta? E como garantir que toda a mediação será cuidadosa? É algo que sinceramente me toca, como mediadora de leitura e como profissional ligada ao livro e à formação de leitores. Penso que nesse caso, a experiência de quem lê e se sente afetado deve ser levada em conta na hora da seleção de livros. Estaríamos assim realizando algum tipo de censura? Talvez possamos chamar assim. Mas nesse caso, penso que a censura - ou a eleição de alguns títulos em detrimento de outros - estaria num terreno muito mais próximo ao do cuidado. Mas entendo também que há uma delicadeza em relação à retirada ou queima de livros, como você menciona, porque isso abre um precedente complicado. Pessoalmente sou contra a retirada e a política do cancelamento, que me parece sempre extremada e apressada, em geral realizada no calor das polêmicas. Mas sou extremamente a favor do debate sobre os livros indesejados, a favor de se criar condições para que tenhamos cada vez mais critérios. Penso que o essencial é mesmo realizar discussões como essas, em torno de livros que abordam determinados assuntos, como os que dizem respeito a questões identitárias, em muitas esferas. Quanto mais pudermos olhar e refletir sobre isso, mais teremos elementos para fazer boas escolhas e ler os livros de forma mais crítica. Algo como um processo de “seleção natural”, que neste caso, seria uma espécie de “seleção cultural”, se é que é possível fazer esse trocadilho.


Marta: Sim. As discussões e debates em torno do tema são muito importantes e sempre bem vindos. Até porque, justamente por se tratarem de temas novos e sensíveis é bom que estejam na pauta. De fato, como você diz, não temos garantias sobre que afetos a leitura de determinado livro aciona em cada leitor. Acho que é sempre uma relação muito singular e também não é possível garantir que uma boa mediação aconteça em todos os casos, embora essa seja a aposta, o trabalho.


Quando você fala em “seleção cultural” penso que de fato ela existe, mas seria importante e mais efetivo se acontecesse como um efeito das mudanças em curso, ao invés de uma ação intencional para separar os livros aceitáveis daqueles que devem ser retirados de cena. Este tipo de posição de juízo - e a imagem da queima - deixam no ar a impressão de que quando as coisas são feitas dessa maneira, são apenas abafadas, mas acabam por retornar. Ou seja, ao apostarmos numa espécie de “seleção cultural” penso que ela aconteceria muito mais porque as pessoas passariam a se interessar por outro tipo de leitura - o que vemos acontecer todos os dias e faz com que as escolas insistam na leitura dos clássicos, por exemplo, que já não interessam tanto às novas gerações.

Quando praticamos este tipo de seleção à revelia, corremos um grande risco de produzir um efeito reverso, já que o proibido passa a gerar ainda mais interesse. Enfim, trata-se mais de pensar o modus operandi que, em todo caso, acho que não se trata de um consenso.


Eu apostaria sim em construir critérios para uma boa literatura para o público infantil, tendo em mente que as crianças sabem dialogar com o que leem. Ou seja, que não são receptoras passivas daquilo que apresentamos a elas, nem tomam o livro como portador supremo de uma verdade. Quem trabalha com educação sabe que se o livro não interessar, se não for um objeto de leitura que desperte a curiosidade, elas rapidamente passam a se dedicar a outras atividades.


Então, não podemos perder de vista que as crianças são inteligentes e sensíveis. Estão longe de ser as pessoas frágeis e sem capacidade de interlocução como muitas vezes fazemos parecer. Até porque recebem influências de muitos outros lugares sociais para além da escola e estão ligadas ao que se passa. Acho que ter em mente essa criança ativa é fundamental.


Ana Carolina: Concordo, Marta. Essa postura de impedir que as crianças tenham acesso a certos livros em geral tem como pressuposto a ideia de que elas são completamente maleáveis ao bel-prazer do adulto, como se não realizassem nenhum trabalho quando leem, acionando experiências e leituras anteriores por exemplo, realizando comparações e associações. Aliás, a comparação é uma boa condição para que possamos escolher melhor aquilo que lemos para as crianças. E se é preciso comparar, isso também significa dizer que é preciso ofertar variedade, discutir sobre critérios de qualidade, conversar muito depois das leituras. Enfim, cuidar da formação dos leitores, garantindo todas as condições para que ela aconteça. Evidentemente, há que se pensar também na responsabilidade de quem publica os livros voltados ao público infantil. E aí, entra uma esfera importante também: a da crítica, que vai ajudar os leitores a construir critérios sobre aquilo que leem. Ao invés de censurar, falar sobre, escrever muito, fazer circular olhares atentos, minuciosos e consistentes sobre o que se produz no mercado de livros. Outro aspecto fundamental é a discussão em torno da função da literatura como arte.


Esses me parecem ser os caminhos. A sociedade muda, os livros precisam mudar junto e os leitores e os críticos têm um papel importante nessa história.


Marta: Acho que este é um bom denominador comum. Podermos nos movimentar neste caldo sem medo das palavras, sem medo da leitura ou da conversa. Senão acabamos por criar um ambiente onde, em vez da confiança para se manifestar e poder até entrar numa discussão, se for o caso, ficamos a sós com aquele silêncio barulhento. Não um silêncio de concordância ou de entendimento, mas um silêncio de desistência.


Que possamos sim fomentar o diálogo, o debate, as diferentes leituras, as possibilidades de troca que abrem perspectiva ao invés de fechar. Afinal, em arte e em educação - literatura, portanto - trata-se muito mais de fomentar problemas, alimentá-los, ao invés de investir em sua resolução apressada e numa suposta criação de consensos. Não é isso?



Ana Carolina: Acho que esse é um bom norte, Marta. Fomentar o diálogo, apostar na crítica, ampliar as leituras. E não nos esqueçamos que a literatura deve ser inclusiva, acolhendo diferentes destinos humanos, formas diversas de estar no mundo. A literatura é generosa por natureza, pois fala da complexidade do viver. É lugar de olhar o outro, para o outro. E assim devemos realizar nossas leituras, considerando que há pontos de vistas, perspectivas diversas das nossas. Ler é, de certo modo, escutar as diversas vozes que há por aí. É também nesse sentido que o cuidado pode se aproximar da literatura. Terreno em que não cabe a censura, mas o pensamento e a crítica.



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Ana Carolina Carvalho é psicóloga e mestre em educação. Atua no terceiro setor como formadora de educadores junto a redes públicas. É membro do Instituto Avisa Lá e Instituto Emilia, ambos em São Paulo, e atua como assessora na área de leitura e escrita em escolas e editoras.


Marta Picchioni é psicóloga, pedagoga e mestre em educação. Autora dos livros O Menino Pássaro , Família e Escola, desafios do presente e A Sóis . Ministra cursos livres na área de educação e escreve semanalmente no hiato educativo.


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