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Rasgar o tempo, suspender os espaços

  • Foto do escritor: Marta Picchioni
    Marta Picchioni
  • 16 de dez. de 2021
  • 2 min de leitura

Uma revoada de pássaros agita o céu. Suas asas bem abertas plainam em suspensão, o voo em bando, sustentando a aparente leveza. Sim, pois o corpo dos pássaros também têm um peso, que, em toda sua materialidade, levita.

Em terra firme, as férias se anunciam. Mas antes que possamos nos jogar em seus braços, há ainda uma extensa lista de itens por fazer. O fim de ano sabe bem como se esticar...



Se para as aves o voo é o modo natural de se movimentar, para nós, bípedes terrestres, voar também é possível. Adentramos a barriga de um pássaro de metal, tal qual Gepeto fez com a Baleia, e em um caso ou outro ar e mar tornam-se lugares de aventura.


Pela janelinha do pássaro de ferro, o ar se condensa rarefeito em pequenas bolinhas, como se pairássemos acima de pipocas de vento.


Com os pés pensando que pisam o chão, pegamos carona na velocidade do tempo e voamos quase sem sentir e como quem habita um espaço entre.


Mas há também outro jeito de voar - um que as crianças bem sabem - e que funciona tanto melhor se nos encarapitamos para cima de um tapete mágico. Como nas mil e uma noites, o mundo se abre abaixo de nós e a vertigem de estar nas alturas é amparada pela maciez de nosso guia.


Que imprudência - diriam alguns - deixar-se levar por um tapete que nada vê!


É que o tapete é movido pelo desejo daqueles que o habitam, pela vontade de jogar luz e cor ao que antes não estava lá. O mundo se amplia pelos olhos de quem vê e faz existir tudo aquilo que nos atrevemos a criar.


Rasgar o tempo e também o céu. Abrir oportunidades para alargar as frestas. Preenchê-las de enredos e ideias que ninguém teve. Preenchê-las e desmanchá-las. Criar outras para pôr no lugar.


As férias se anunciam, abrindo uma nova temporada de viagens. Eu acredito em tapete voador!


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© 2022 Marta Picchioni

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